Representação Política Moderna e Brasileira

Agemir Bavaresco, Tiago Porto, Giovane M. Vaz dos Santos

Resumo


As manifestações de 2013 evidenciaram problemas que ainda não faziam parte da agenda sociopolítica brasileira, entre eles, destaca-se a crise da representação política. A pesquisa investiga esses fenômenos a partir deste problema: Por que as instituições não avançam com a sociedade? Nosso viés de análise é interdisciplinar, aplicando o procedimento reconstrutivo através de teorias e diagnósticos dos cenários atuais. Iniciamos nossa análise das teorias da representação sociopolítica na filosofia política moderna, partindo da consolidação do republicanismo nas cidades-estados em território italiano na transição do Medievo para a Renascença, período extremamente influente para o pensamento político moderno; prosseguimos nosso estudo dando um maior foco ao desenvolvimento sociopolítico durante a Idade Moderna, abordando a emergência do liberalismo e da democracia representativa idealizada por Jean-Jacques Rousseau. A seguir, tratamos o tema da representação sociopolítica na formação do pensamento político brasileiro, que começou a idealizar-se a partir da Constituição de 1824. Porém, aqui nos delimitamos a estudar a formação do pensamento brasileiro na Segunda República, com o desenvolvimento industrial, a emergência da sociedade civil organizada e a criação dos partidos políticos. Apesar do longo período de dominação das elites na esfera política e da repressão aos movimentos sociais, o Brasil produziu uma geração de pensadores importantes que refletiram sobre a constituição do povo e a formação do Estado nacional brasileiro. Por fim, problematizamos a democracia representativa em seu estágio atual, analisando cenários, fazendo diagnósticos para recriar a democracia, tal como é institucionalizada na forma-estado ocidental. Porém, como fazer isso, sem incorrer no vício espontaneísta ou no movimentismo sem foco, ou no processismo que nunca se realiza? Os partidos têm pouca capacidade de elaborar estratégias, apenas divulgam ilusões programáticas, de como gerir mais ou menos os negócios estatais, através de marketing e planejamento eleitoral.  Trata-se de construir uma gestão democrática, que supere ações emergenciais, reagindo às crises, estados de necessidade econômica e shows eleitorais; uma representação que não fique reduzida a dicotomia de ser gestor a serviço do mercado ou do Estado, mas que articule a horizontalidade das redes sociais, conectando o pensar e o agir estrategicamente, superando dualismos entre público ou privado, entre Estado ou Mercado.


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