Rousseau e a literatura infantil / Rousseau and the children’s literature

Ivanor Luiz Guarnieri, Marta Camilo da Silva Guarnieri

Resumo


A Filosofia e a Literatura são propícias à criação e à difusão de ideias. No século XVIII, entre essas ideias, estão as do conceito de criança e de caracterização do universo infantil. Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) é um dos principais teóricos desse século. Seu trabalho contempla questões educacionais expressas, principalmente, na obra Emílio: ou da educação. Esta obra é dividida em cinco capítulos. Cada capítulo discorre sobre um período da vida de crianças e jovens, cobrindo um total de 25 anos. A Literatura Infantil é uma das questões tratada por Rousseau nessa obra, pois ela é parte indissociável da educação das crianças. Contudo, Rousseau deprecia a Literatura, não a recomendando para o ensino do Emílio. Quais as razões dessa crítica à Literatura Infantil? O fundamento de suas críticas deve ser buscado no contexto de suas ideias filosóficas, seja de ordem política, seja de ordem moral. Em sua filosofia, encontraremos a concepção de homem natural, vivendo no estado de natureza. O estado de natureza é uma hipótese de trabalho com a qual Rousseau procura mostrar, por comparação, os males da sociedade, entre os quais o da desigualdade civil, que torna uns poderosos e outros fracos; a propriedade, que torna alguns ricos e outros pobres; a política, que gera tiranos e servos. Para esse filósofo, o homem social (que vive em sociedade) age de modo superficial e afastado do modo como a natureza o fez. A Literatura Infantil, em especial as fábulas de Esopo, analisadas por Rousseau, reforçariam os interesses mais vis do homem civil e, com isso, abafariam o homem da natureza que ainda existe no interior da criança. O fundamental para sua filosofia da educação é evitar que os males da vida social entrem no educando. Eis a razão de sua crítica à Literatura Infantil.


Palavras-chave


educação; Filosofia; Literatura Infantil; Rousseau.

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