Desregulando a natureza: A oficina de Manoel de Barros

Dariete Cruz Gomes Saldanha, Maria Célia da Silva

Resumo


O  presente  trabalho  tem  como  finalidade  mostrar  algumas  peculiaridades  do  fazer
poético  de Manoel  de  Barros.    A  análise  concentra-se  no  poema  “Oficina”  do  livro  Memórias
inventadas: a segunda infância (2006). Pretende mostrar o modo como o poeta opera, manipula as
palavras,  tornando-as  estranhas,  tirando-as  da margem  ao  inseri-las  no  poema. A  invenção  toma
proporção literal na obra desse poeta, como podemos ver no poema “Oficina”, em que a proposta é
a  de  desregular  a  natureza  fazendo  um  trabalho  de  desmanche  das  coisas  que  pela  natureza
obedecem  a  uma  coerência  habitual. A  natureza,  espaço  presente  em  quase  todos  os  poemas  do
autor, com a imagem do rio, das formigas, das grutas etc., serve sempre de matéria com a qual ele
brinca de desfazer e  refazer o universo poético, utilizando-se do  jogo metalinguístico presente em
sua poesia. Do mesmo modo, o poeta  constrói  seu  estilo de  fazer poesia  com  restos de palavras,
empregando, na maioria das vezes,  elementos  repetidos. Nesse  sentido,  pensa-se na  invenção, na
acepção abrupta de desregular, reinventar o já inventado.

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