THE RIVERMAN: A INVENÇÃO DA AMAZÔNIA EM ELIZABETH BISHOP

Alex Santana Costa

Resumo


Em “The Riverman”, a poeta estadunidense Elizabeth Bishop escreve sobre um suposto ribeirinho amazônico que, a princípio, parece se deixar encantar pelo boto; mas, na verdade, pode-se inferir que seu intuito é se tornar um sacaca, fazendo com que renuncie sua casa, sua esposa, sua vida. Certamente poderíamos sugerir que esse é mais um discurso estereotipado sobre a Amazônia. No entanto, se considerarmos que na ocasião da composição desse poema Bishop ainda não havia visitado essa região, seria possível afirmar que se trata de um discurso superficial e preconceituoso. Entretanto, como a própria poeta estadunidense cita na epígrafe que antecede o poema, que as informações que teriam lhe inspirado a compor esse texto poético “foram extraídas de Amazon Town”, famosa obra do antropólogo norte-americano Charles Wagley – que retratou à audiência internacional uma Amazônia exclusivamente exótica, inóspita, retrógrada e povoada de selvagens e feiticeiros – podemos afirmar, com propriedade, que seu discurso é colonizador, cujo propósito maior é perpetuar a imagem deturpada que muitos escritores vem construindo ao longo de décadas a respeito dessa importante região do planeta, desconsiderando sua importante pluralidade étnica e cultural. Para que essa leitura seja possível, é necessário lermos e analisarmos “The Riverman” sob um viés pós-colonial, uma vez que para leitores comuns Bishop poderia estar apenas trazendo à tona mitos e lendas amazônicas, o que caracterizaria uma importante prática de descolonização. Porém, se considerarmos que nesse poema Elizabeth é o próprio ribeirinho – cujo objetivo é se tornar um sacaca, dominar os rios e todas as criaturas, como o boto, a Luandinha, o pirarucu, etc – sua máscara de colonizadora cai por terra, e seus olhos imperiais nos revelam suas reais intenções

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