EL ZORRO DE ARRIBA Y EL ZORRO DE ABAJO, DE JOSÉ MARÍA ARGUEDAS: RESGATE DE UMA UTOPIA ARCAICA OU REVELAÇÃO DE UMA TOTALIDADE CONTRADITÓRIA E HETEROGÊNEA?

Juliana Bevilacqua Maioli

Resumo


O trabalho propõe discutir sobre o embate entre divergentes leituras críticas elaboradas pelos intelectuais Mario Vargas Llosa e Antonio Cornejo Polar a respeito do romance El zorro de arriba y el zorro de abajo, de José María Arguedas. Publicada em 1971, a obra ficcionaliza as transformações socioeconômicas experimentadas pelo Peru, a partir da metade do século XX, motivadas, principalmente, pelo intenso fluxo migratório que rapidamente promoverá a urbanização do país. Ambientado em Chimbote, o relato revela a edificação de um novo mundo sobre as bases do capitalismo consumista e do individualismo. Logo, o romance objetiva representar o futuro da cultura andina/quéchua em meio às demandas da modernização implementadas no território peruano. O universo ficcional tecido na narrativa suscita diferentes apreciações críticas. De um lado, Vargas Llosa assinala a perspectiva reacionária de El zorro... que, ao refletir os sofrimentos do Peru e dos demais países latino-americanos, tende a ressuscitar o arcaísmo da cultura incaica em uma utopia literária, hostil ao desenvolvimento industrial e a modernização do país. No polo oposto, Cornejo Polar busca enfatizar, por meio da constatação da presença do sujeito migrante, o caráter inovador do romance, segundo ele, capaz de representar a totalidade contraditória e heterogênea da cultura peruana.

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