A FORMAÇÃO DO SUJEITO NA OBRA “O XARÁ”, (2003), DE JHUMPA LAHIRI

Carlos Eduardo Parente de Souza, Daianne Severo da Silva, Miguel Neneve

Resumo


Neste trabalho analisamos o romance O xará (2003), de Jhumpa Lahiri, à luz da teoria pós-colonial. Concentramos nossa discussão na formação do sujeito. O enredo mostra o nascimento e o desenvolvimento de Gogol, protagonista, que vive  em duas culturas distintas, a americana e a indiana. Tanto a origem indiana como o ambiente americano tentam lhe moldar sua personalidade de maneiras diferentes, cada uma com uma ideologia, uma linguagem e um discurso próprias. O resultado é a fragmentação da identidade deste sujeito nascido na América, filho de indianos e com nome russo, que não sabe qual identidade assumir. Para esta análise utilizamos autores tais quais Bill Ashcroft et. al. (2000), Homi Bhabha (1998), Thomas Bonnici (2005), Amia Loomba (1998), entre outros, para definir a formação do sujeito pela linguagem, pela ideologia e pelo discurso. Verificou-se que o personagem Gogol não aceita o nome russo, diferente dos nomes dos colegas americanos, bem como nega, também, as tradições indianas dos pais, passando por uma crise de identidade em que tenta imitar a cultura americana. A morte do pai o leva a resgatar esta cultura indiana, e se casa com uma filha de indianos, moça que também tem sua identidade fragmentada e o casamento fracassa. Conclui-se que Gogol, ao fim da narrativa, mantém-se em dúvida sobre sua própria identidade.


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