MARCAS DO DISCURSO IMPERIALISTA NA NARRATIVA NORTE-AMERICANA DE NEVILLE B. CRAIG EM SUA HISTÓRIA TRÁGICA DE UMA EXPEDIÇÃO

Marcelo Zaboetzki

Resumo


Este trabalho apresenta uma análise pós-colonial do relato norte-americano Estrada de Ferro Madeira-Mamoré: história trágica de uma expedição. A obra de autoria do norte-americano Neville B. Craig, engenheiro que participou da expedição à Amazônia entre os anos de 1878 e 1879 na tentativa de construção da ferrovia que contornaria as cachoeiras do rio Madeira. Como principal aporte teórico apropriamo-nos dos pressupostos pós-coloniais e estudos culturais, em especial nos teóricos Edward Said (2011), Frantz Fanon (2013), Mary Louise Pratt (1999) e Homi Bhabha (2013). Para a contextualização histórica tivemos como guias as obras Ferrovia do Diabo, Trem fantasma e a própria obra de Neville B. Craig (1947). Nossa leitura e análise apontam para um discurso de cunho imperialista e de superioridade dos norte-americanos em relação aos demais povos envolvidos nas narrativas, que na sua maioria são corpos estereotipados e subjugados. A natureza oscila entre a exuberância e a monotonia; e os norte-americanos assumem a si mesmos como homens em “missão civilizatória” àquela região sinônima de “vazio demográfico” e “atraso cultural”. Constatamos as marcas do discurso colonialista e imperialista uma vez que a ideologia norte-americana é a melhor propaganda para justificar tantas vidas perdidas diante o almejado monopólio norte-americano sobre aquela região.


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