AUTODESCOLONIZAÇÃO E HIBRIDISMO EM MEU VÔ APOLINÁRIO: UM MERGULHO NO RIO DA (MINHA) MEMÓRIA DE DANIEL MUNDURUKU

Valdirene Baminger Oliveira, Sheila Dias da Silva Laverde, Carbonieri Carbonieri

Resumo


O objetivo deste trabalho é analisar o livro Meu vô Apolinário: um
mergulho no rio da (minha) memória. Nosso objetivo é demonstrar
de que forma ocorre a autodescolonização do narrador-personagem
e como o hibridismo aparece na obra e vai permeando a constituição
identitária de Daniel Muduruku. Nessa obra, ele narra sua história,
na verdade, a história da pessoa que foi se tornando ao longo dos
anos em que conviveu com o avô Apolinário. Passamos a conhecer
a luta do pequeno Munduruku, que nasceu na cidade, numa
sociedade em que predominam os valores eurocêntricos. Munduruku
luta contra o grupo dominante que tenta lhe impor uma
colonialidade. Na escola, recebe apelidos e é motivo de chacota. Na
aldeia, sente-se feliz, mas mesmo assim não gosta de ser chamado
de índio. Em meio às duas culturas, o menino vive vários conflitos e
choques culturais. Por fim, ele se autodescoloniza, aceitando-se
como índio e como escritor. Ele mostra que é possível existirem
outras perspectivas culturais, como as tradições de seu povo, que
ele partilha com seu leitor. A abordagem será conduzida pelas
perspectivas teóricas de Aníbal Quijano (2005), Ramón Grosfoguel
(2011), Nestor Canclini (2001), Homi Bhabha (1990) e Stuart Hall
(1997).


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