A MATERIALIDADE DA LÍNGUA NACIONAL

Élcio Aloisio Fragoso

Resumo


Este artigo, que faz parte de um trabalho mais amplo que desenvolvemos acerca da relação entre língua (escrita) e literatura (escritura) no século XIX, inscreve-se na perspectiva teórica da análise de discurso materialista e na metodologia da história das ideias linguísticas. Por esta via de reflexão, buscamos analisar, através de recortes da 1ª edição de Iracema (incluindo aí o prólogo, notas e uma carta ao final do livro), de José de Alencar, o sentido instituído (legitimado) para a língua nacional, política linguística que vai significar a língua portuguesa no Brasil, no século XIX. A discursividade literária romântica vai evidenciar essa língua como simples, natural e espontânea, funcionamento ideológico do estilo que naturalizava o sentido expressivo da língua nacional. Entretanto, vimos que esse expressivismo era histórico e ideologicamente determinado. Ele explicitava o processo discursivo que se realizava sob a base da língua portuguesa, ou seja, ele dava visibilidade ao batimento entre a memória e a atualidade.  Enfim, esse expressivismo, de nosso ponto de vista, dava forma ao linguístico-histórico (o discursivo), que era significado como poético, efeito de sentido dominante estabelecido na relação contraditória com outras formações discursivas.

Palavras-chave


Iracema. Discursividade Literária. Língua Nacional. Materialidade Significante

Texto completo:

PDF