WILLIAM CHANDLESS: LITERATURA DE VIAGEM, MEMÓRIA E IMAGENS AMAZÔNICAS NO SÉCULO XIX

Raquel Alves Ishii, Gerson Rodrigues de Albuquerque

Resumo


A partir da perspectiva dos estudos culturais, o objetivo deste artigo é desenvolver uma reflexão sobre o modo como certas culturas amazônicas são “ilustradas” por meio da escrita e de imagens do relato do viajante inglês William Chandless (1829-1896), intitulado A visit to the india-rubber groves of the Amazons, publicado no ano de 1870, como parte de uma coletânea de relatos de viagem organizada pelo naturalista inglês Henry Walter Bates, cujo título é Illustrated travels: a record of discovery, geography, and adventure. O texto em análise trata da passagem de Chandless pelo rio Madeira, na Amazônia rondoniense, no ano de 1868, no qual o viajante busca descrever, além de aspectos da fauna e flora, sua visita aos seringais da região – momento em que pôde observar o processo de extração do látex pelos habitantes dos lugares que percorreu. Ao produzir suas “descrições”, a preocupação do viajante foi oferecer um “retrato fiel e objetivo” da realidade como forma de “ilustrar” a região não apenas com registros escritos, mas também com imagens/desenhos de localidades, plantas e populações indígenas com as quais manteve contato. Essas “ilustrações”, compreendidas como uma redução dos sujeitos e “paisagens” ao nível do ficcional ou do silêncio, nas palavras de Michel de Certeau, promovem o “apagamento” simbólico de diferentes modos de vida por intermédio do “estatuto de verdade” que sustenta o discurso do viajante.


Palavras-chave


Relatos de viagem. Chandless. Amazônia. Ilustração. Cultura e sociedade.

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