A EMANCIPAÇÃO DO SUJEITO EM ULYSSES E EM FINNEGANS WAKE

Luana Signorelli Faria da Costa, Luis Henrique Garcia Ferreira

Resumo


Esse artigo analisa os romances finais do irlandês James Joyce, Ulysses (2012) e Finnegans Wake (1999-2003; 2018), como criações cujas poéticas da indeterminação geram diversos níveis de subjetividade, os quais promovem uma emancipação do leitor enquanto sujeito (também) das obras. Ousado na técnica, Ulysses narra a odisseia de um homem comum, Leopold Bloom, o qual procura fugir de questões que que lhe causam dor, como o suicídio do pai, a iminente iniciação sexual da filha e a morte do filho, mas, principalmente, a traição da mulher. Por sua vez, Finnegans Wake tem uma proposta ainda mais ambiciosa. É a narrativa de um sonho e, por meio de uma linguagem que gramaticiza a polifonia e a ambiguidade dos sonhos, conta a história da humanidade e da literatura por meio da vida de HCE (personagem principal), bem como de sua família – a esposa Anna Livia Plurabelle, a filha Isis e os gêmeos Shaum e Shem. Todos, assim como a cidade de Dublin, são figuras arquetípicas e metamorfoseiam-se por todo o livro em mitos e em elementos da natureza. Neste processo, o inglês é deformado pelo agigantamento e criação de palavras, tal qual pela mestiçagem de dezenas de línguas e dialetos, “criando” um idioma em grande medida ininteligível. Assim, Joyce desenvolve poéticas da abertura e da incerteza, que exigem do leitor uma “co-construcción” (ADORNO, 2003). Ao preencher as lacunas e os vazios criados pelo escritor modernista, o leitor emancipa-se. Como suporte teórico, serão utilizados, predominantemente, a Teoria estética (2016) de Adorno, O Sinthoma (2007) de Lacan e riverrun (1992), organizado por Netroviski.

Palavras-chave


Emancipação. Técnica. Ambiguidade. Joyce.

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