A Interpretação de Putnam das Palestras sobre Crença Religiosa de Wittgenstein

Alison Vander Mandeli

Resumo


Neste texto, discutiremos a proposta interpretativa de Putnam das Palestras sobre crença religiosa (Palestras) de Wittgenstein. Em dois artigos de 1992, Putnam discute esse complexo texto do corpus wittgensteiniano. As Palestras são apenas anotações de alunos, recolhidas e publicadas por Cyril Barret em 1966. São difíceis de ser compreendidas dado que o texto é fragmentado, incompleto, algumas vezes até não gramatical. Em certas passagens não fica claro se a ideia transmitida é de Wittgenstein ou de algum dos interlocutores. Por estar em um período transicional, no qual as ideias maduras de Wittgenstein estão ainda em desenvolvimento, as Palestras são de extrema importância para os interessados em uma interpretação mais precisa da obra wittgensteiniana. Obviamente, além da importância exegética e histórica, o texto pode ser estudado devido ao tema: crença e linguagem religiosa. Aqueles que se ocupam com filosofia da religião, se querem compreender as visões de Wittgenstein sobre o tema, precisam necessariamente passar pelas Palestras, pois é o texto onde o assunto é tratado de forma mais direta e com certa continuidade. Dividiremos o texto em dois momentos: primeiramente discutiremos algumas das ideias contidas nas Palestras, principalmente a concepção de que, apesar das aparências, crentes e não-crentes religiosos não estariam contradizendo um ao outro. No segundo momento, apresentaremos e discutiremos a forma pela qual Putnam refuta duas interpretações prima facie plausíveis das Palestras: uma interpretação via incomensurabilidade entre o discurso religioso e não religioso e uma interpretação emotivista da linguagem religiosa. A exegese de Putnam é negativa, no sentido de nos mostrar como não compreender a linguagem religiosa através de lentes wittgensteinianas.

Palavras-chave: Linguagem religiosa – Incomensurabilidade - Emotivismo


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