CIDADE EDUCADORA NA FRONTEIRA AMAZÔNICA: POSSIBILIDADES E DESAFIOS

Rosely Furtado Roça

Resumo


Trata-se de um estudo de cunho bibliográfico, que tem como situação problema a realidade da cidade fronteiriça de Guajará-Mirim, segundo município mais importante no período da criação do estado de Rondônia, e que atualmente encontra-se passando por sérios problemas na área da saúde, educação, urbanidade, legalização fundiária, dentre outros. Estes problemas são apontados, em sua maioria, por moradores da localidade através das redes sociais. Porém, compreendemos que é possível reverter esta realidade, a exemplo do que ocorre nas dezesseis Cidades Educadoras brasileiras distribuídas em quatro estados. A importância de explorar e disseminar a concepção de Cidade Educadora para municípios fronteiriços reside no fato de que esse tipo de iniciativa faz com que gestores públicos, educadores e cidadãos comuns pensem em políticas públicas que facilitem a integração e a qualificação de seus potenciais espaços de aprendizagem, com objetivo de convidar crianças, jovens e adultos a conhecer, valorizar e vivenciar a cidade. A construção de uma Cidade Educadora propõe que exploremos a cidade como um currículo vivo e dinâmico: a rua ensina e precisamos aprender a ler seu potencial educativo, construindo um profundo significado na relação homem/território e seu papel cidadão.Outra contribuição da Cidade Educadora é colaborar com a requalificação dos conteúdos da educação fronteiriça, ajudando a formatar currículos mais dinâmicos e integrados à cidade, comunidade local e entorno, levando em consideração suas particularidades. Nesse sentido, para entendermos melhor os parâmetros que sustentam o projeto Cidade Educadora, fundamentamos nossos estudos em Freire (2003) quando defende que: “a cidade é cultura, criação, não só pelo que fazemos nela e dela, pelo que criamos nela e com ela, mas também é cultura pela própria mirada estética ou de espanto, gratuita, que lhe damos. Em Arroyo (2012) encontra-se a discussão do direito a tempos-espaços de um justo e digno viver. E por fim, Teixeira (1959) corrobora com a discussão de que o ensino cabe a sociedade, muito pertinente essa abordagem considerando que uma das características do projeto Cidade Educadora é a participação social.Nesse contexto, a escola, torna-se peça fundamental porque é através dela que teremos o reconhecimento como agentes de transformação do território. E, como Guajará-Mirim (Brasil) e Guayaramerín (Bolívia) são consideradas cidades gêmeas fronteiriças, pensar o município na categoria de cidade educadora requer pensar também a sua cidade irmã, ou seja, Guayaramerín com todas as suas demandas, principalmente as educacionais e de saúde. Embora haja consciência de que a realização deste projeto suscitado nesse estudo seja arraigada de desafios, acredita-se que as possibilidades de uma cidade plena de oportunidades educativas, que podem ser potencializadas com a participação social, a intersetorialidade e a inclusão, resultando em igualdade de oportunidades são razões suficientes para a sua aplicabilidade. Nesse contexto, esse estudo tem como objetivo apresentar as características do projeto Cidade Educadora promovendo uma reflexão acerca da possibilidade de sua implantação nos municípios de fronteira, a exemplo, de Guajará-Mirim, vencendo os desafios e focando nas possibilidades que gerem oportunidades de crescimento, de desenvolvimento e valorização do patrimônio cultural.


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DOI: https://doi.org/10.36026/rpgeo.v6i1.4232

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Revista Presença Geográfica (RPGeo): ISSN 2446-6646