O SURGIMENTO E A REPRESENTAÇÃO DO DIABO NA SOCIEDADE E NA MENTALIDADE CRISTÃ MEDIEVAL

Francisco Wellington Rodrigues Lima

Resumo


A representação do Diabo durante toda a Idade Média fez surgir uma série de reflexões sobre o mundo em que vivemos, o homem, o circunstancial e o Criador. Nenhum ser jamais recebeu tantas denominações como a figura representante do Mal, o Diabo. Ele ficou conhecido como Satã, Lúcifer, Diabo, Satanás, Demônio, Maldito, Belial etc. Assumiu nomes populares como Pai da Mentira, Anjo Mal, Capiroto, Cão, Coisa Ruim, Espírito do Mal etc. Constituiu-se de inúmeras formas híbridas, dentre elas a de serpente, lobo, bode, corvo. Sobre sua origem, conforme apontam teólogos e historiadores como Cousté (1996), Russel (2003), Muchembled (2001), ainda há uma série de incertezas. Segundo relatos bíblicos, por exemplo, teria sido ele um Anjo de Luz que, ao se revoltar contra a figura divina, foi expulso do Reino Celestial. Era ele um Anjo Serafim, em outras versões, um Anjo Querubim, de linda forma áurea, mas, após sua queda, diante do pecado da soberba, assumiu formas representativas deformadas, pavorosas, que provocaram medo na mentalidade do povo cristão durante quase toda a Idade Média, sendo ele, o Diabo, possuidor e tentador das almas humanas mundanas e más após a morte: o Senhor das Terras Infernais. Tornou-se o grande adversário de Deus e inimigo implacável de Jesus Cristo e de seus discípulos, tendo por missão combater o Bem e fazer reinar o Mal sobre a terra e os homens. Ganhou, ao longo dos tempos, grande proporção nas narrativas de cunho religioso. Ele foi, por exemplo, mencionado cinquenta e três vezes no Novo Testamento e descrito uma vez no Antigo Testamento.  Segundo pesquisadores, o Diabo tomou forma a partir do momento em que o pensamento criador e o discurso religioso entraram em jogo, conferindo-lhe vida e concedendo-lhe poder.

 


Palavras-chave


Diabo, Idade Média, Representatividade, Imaginário Cristão

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