“VÓS TENDES POR PAI AO DIABO": PRECONCEITO RACIAL NOS SERMÕES DE AUTOS-DE-FÉ DA INQUISIÇÃO PORTUGUESA (1612-1640)

Luís Fernando Costa Cavalheiro

Resumo


Desde o início do século XVII, a literatura católica escrita em Portugal deixou de acreditar em uma conversão sincera dos cristãos-novos e passou a defender que a incompatibilidade de fé estava na herança do sangue judaico. Este artigo tratará da questão do sangue judeu e as medidas a serem tomadas contra seus descendentes a partir de sermões de autos-de-fé, pregados em Portugal, entre 1612 e 1640. O objetivo é estabelecer elementos que evidenciem questões raciais, principalmente baseado em dois aspectos: o sangue impuro como um medo infeccioso para os católicos e, também, como herança geracional. Será também abordada a historiografia acerca da literatura antijudaica, da qual dispensou pouca atenção ao racismo dessa tipologia de fontes. Finalmente, ressalta-se a grande importância de estudar os escritos antijudaicos como grande formatador de um ódio que culminou em pedidos de condenação aos descendentes de judeus a morrerem queimados ou a expulsá-los.


Palavras-chave


sermão de auto-de-fé, literatura antijudaica, racismo, antijudaísmo.

Texto completo:

PDF