EUCLIDES DA CUNHA: NEM CIENTISTA, NEM JORNALISTA, MAS LITERATO (AUTOR DA LÍNGUA)

Pedro Pedroza Cardoso

Resumo


Seguindo a linha teórica da Análise de Discurso da corrente francesa, observando, principalmente, os ensinamentos de Michel Pêcheux, Eni Orlandi e Freda Indursky, bem como a perspectiva dos estudos enunciativos tal como está teorizada em Jacqueline Authier-Revuz, este artigo trabalha a heterogeneidade e os atravessamentos no discurso de Euclides da Cunha em alguns recortes da obra “Um paraíso perdido – reunião de ensaios amazônicos”. Euclides vem para a Amazônia a serviço do governo brasileiro, chefiando a “Comissão Mista Brasileira-Peruana de Reconhecimento do Alto Purus”, em dezembro de 1904 e aqui permaneceu até dezembro de 1905. Deixando de lado os relatórios técnicos que produziu para o Itamarati, o autor escreveu vários textos durante a sua estadia na Amazônia, textos esses cujos atravessamentos científicos e jornalísticos são o foco deste trabalho. Escolhemos alguns recortes dessa escrita (ensaios e cartas) que também nos permitirá entender o discurso do autor e a sua posição, observando aspectos como as ideologias a que ele estava filiado, bem como o pensamento teórico dominante e as condições históricas de produção do final do século XIX e início do século XX. Estudaremos também a noção de autoria (função-autor) e a formação do seu discurso.

Palavras-chave


Análise de Discurso; heterogeneidade; autoria, ideologia e condições de produção.

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