INTOLERÂNCIA RELIGIOSA NO SÉCULO XIX: A IMPRENSA A SERVIÇO DA PERSEGUIÇÃO

Rafael Mendes Olivério

Resumo


Buscaremos compreender por meio desta pesquisa como se deu a constituição do Candomblé em Salvador-Bahia e os elementos históricos que o levaram a caracterizar, para uma parcela da sociedade da época, um transtorno social e uma ameaça aos bons costumes. Para demonstrar em qual contexto histórico cultural o Candomblé se instituiu, foi utilizado a pesquisa de fontes bibliográficas e alguns casos publicados em um periódico, O Alabama, entre 1863 e 1871, que serviu como fonte fundamental na compreensão da mentalidade que norteou os diversos casos de perseguição contra os Candomblés. Constituído por uma junção de crenças e condutas visivelmente africanas, possibilitando a formação de uma cultura formada através da religiosidade trazida pelos negros escravizados, perseguido, mas também frequentado, liderado e algumas vezes protegido por pessoas brancas, o Candomblé foi visto como uma ameaça ao discurso e propósitos civilizacionais do século XIX. Confundido com as lutas pela igualdade de direitos e acesso, levando em consideração que o Candomblé serviu, muita das vezes, como ferramenta de inclusão quando não de ascensão do negro na sociedade, esta religiosidade será cercada de um olhar preconceituoso, pois colaborou para a construção e propagação de uma identidade e cultura afro-brasileira bem no momento em que a sociedade baiana do século XIX queria manter distância de costumes considerados como um atraso. 


Palavras-chave


Candomblé; Religiosidade; Escravizados; Negros

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