A HISTÓRIA, A LITERATURA, O DEVIR: POR UMA PERCEPÇÃO RIZOMÁTICA DO ROMANCE HISTÓRICO

Marco Aurélio de Souza

Resumo


O texto propõe uma abordagem do romance histórico que busca afastar o gênero do fantasma do didatismo, latente ou implícito, que perpassa noções como a de metaficção historiográfica e novo romance histórico, as quais preservam o romantismo do combate às histórias “oficiais” característico do modelo tradicional da ficção histórica, oriunda do século XIX. Nesta perspectiva, é atribuída à literatura uma missão conscientizadora, uma função social relacionada à difusão do conhecimento histórico na sociedade e à promoção da criticidade, quando não a própria missão de corrigir os erros da historiografia, questionando sua autoridade científica. Na contramão de tal configuração, este artigo se propõe, dentro do contexto do debate brasileiro, a produzir um olhar alternativo para tal modalidade romanesca, jogando nova luz às relações entre história e ficção, bem como sobre sua confluência em narrativas contemporâneas qualificadas comumente como híbridas. Mesclando contribuições da filosofia, da teoria literária e teoria da história, utilizando-me de conceitos e noções retiradas da obra de teóricos e filósofos como Ankersmit, Fredric Jameson, Stephen Bann, Deleuze e Guattari, procuro questionar o aspecto revisionista atribuído à ficção histórica contemporânea por influentes pesquisadores do gênero, tais como Seymour Menton e Linda Hutcheon. Assim, entendo aqui que o texto artístico (literatura), através dos mais variados recursos de que dispõe, deve trabalhar no sentido de produzir aquilo que Ankersmit denominou de “uma epifania da própria realidade” (ANKERSMIT, 2012, p. 299), o que, em determinados momentos, com uma terminologia diversa, será compreendido também como a produção e apresentação de uma experiência do Fora.

Palavras-chave


Experiência do fora; Romance histórico; Desterritorialização.

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